Cultura carioca preta. Foi o que senti (afinal, é a minha percepção) ao ver esta exposição. E um ponto me fez pensar sobre os artistas negros que me cercam: nunca se é uma coisa só. Heitor dos Prazeres era pintor, compositor, marceneiro e ainda figurinista. Talvez seja o jeito de vestir o que se é e não o que querem que se seja. Principalmente quando lembro a fala do documentário que há no final da exposição em que Heitor se mostrava incomodado com a comercialização da sua arte, da repetição, de quererem obras iguais ao que ele produzia, e como isso tirava o prazer de fazer pela amizade. Ao mesmo tempo que entendo o lado do Heitor dos Prazeres, também me questiono porque acredito que os artistas devem ser vistos como profissionais recebendo com dignidade. Para além disso, ver a arte como um direito e não apenas restrita a algumas pessoas. Como fazer isso e permitir que mais gentes tenham acesso e que se dê dignidade aos artistas? Continuo aqui pensando.
Obras que trazem a realidade dos lugares negros do Rio. Em algumas peças, tentei reconhecer alguns morros cariocas. Noutras imaginei a vida que se tinha, e, principalmente, os problemas, ao ver pessoas carregando lata d'água na cabeça. E os vídeos me fizeram imaginar como seriam os carnavais na criatividade a partir do pouco, coisa que ainda é possível ver na Intendente Magalhães. E você, o que vê na exposição com as obras do Heitor dos Prazeres?
Essa exposição está no CCBB ali na Primeiro de Março até 18 de setembro de 2023. Lembrando que a entrada é gratuita. Para quem não visitou ainda o CCBB, o mesmo fica quase em frente à Candelária.



















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