O Rio do Samba - resistência e reinvenção



Estava curiosa com o que poderia encontrar. Tanto que me arrisquei de ir à inauguração da exposição em pleno sábado de um feriadão. Na região da Pequena África, uma exposição que trata de samba, para mim, seria muito especial. Encarei duas filas bem grandes para conseguir visitar. Na primeira fila para subir, pude ver uma obra chamada a Geografia do Samba. A obra tinha o Catete, mas não tinha nada na Ilha do Governador. Acho que o artista esqueceu onde a União da Ilha fica.

Tirando essa minha reclamação... gostei da curadoria ter seguido a ideia do que via no Dja Guata Porã, em que sons colocam o visitante no clima da exposição, com trechos de músicas e falas de figuras importantes. Quando o corredor chega ao fim, você é tomado pela afirmação: O samba é o dono do corpo. Muitos corpos aparecem, cada um com o seu jeito de se expressar, gingar, sentir o samba tomar o corpo.

De onde surge? Quais são as raízes que fazem com que o samba seja criado (ou transformado) no Rio? Que nações foram essas que com seus toques e sua história formaram o Rio?








Impossível falar de samba sem mencionar a religiosidade dos povos escravizados. Confesso que achei que poderiam mostrar de uma maneira bem superficial. Mas, fiquei surpresa com o que vi na exposição. Muitos quadros e fotografias. É necessário tempo para namorar essa exposição. Eu pretendo voltar para conseguir capturar mais informações. E, de verdade, eu espero que o grande público que vi presente na inauguração seja assim ao longo do período de exposição.







Vi vários amigos, após assistirem ao desfile da Paraíso do Tuiuti, comentarem que o carnaval deveria ser contestador. Quem conhece sabe que sempre é e sempre foi. Muitos desfiles deram aulas melhores de História que muitos colégios. Sem contar que a própria história das agremiações é de resistência e contrastes da cidade e as modificações urbanas e paisagísticas desta. Acredito que nem preciso comentar sobre aqueles que cantaram e criaram o samba carioca bem antes das facilidades de distribuição fonográfica que conhecemos hoje.








Essa exposição ficará no Museu de Arte do Rio até 30 de março de 2019. Isso mesmo! Ficará até depois do carnaval. Lembrando que às terças a entrada e gratuita. O museu fica na Praça Mauá, bem pertinho do Museu do Amanhã, funciona de terça a domingo de 10 às 17 horas.

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