A exposição realmente tem várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. Não são apenas quadros, ou só fotografias, ou só esculturas, ou apenas vídeos. É de tudo um pouco, e um pouco de diversos cantos da África. Antes de subir para a exposição em si, você já encara uma escultura, ou intervenção (ainda não sei como chamar a obra do térreo do CCBB). Esta obra me fez pensar muito na quantidade de objetos que usamos no dia a dia das cidades e que depois acabam virando lixo. Me deu nervoso, confesso!
Algumas fotografias fazia pensar sobre como consideramos quem tem mais poder. O que entendo sobre roupa de um governante pode indicar algo? Ou como as discussões sobre a chegada a um território foi e/ou deveria ser feita. Fiquei pensando nisso. Outras fotografias me chamaram atenção pela presença das peças de futebol nas representações de figuras da história. Não são figuras que estamos acostumados nos livros, sempre destacando o Europeu, mas sim daqueles que tiveram relação com os povos africanos.
Também fiquei tentada com as peças em madeira que ora me lembravam Lego, Playmobil, ora me lembrava aquelas peças geométricas que vendiam quando criança para montar casas, igrejas, etc. E não poderia tocar. Complicado para a criança que mora em mim.
Qual a visão que temos da cidade? Qual a visão que cada janela de um lugar pode oferecer da cidade? Algumas TVs trocavam o tempo inteiro as visões de um mesmo prédio da África do Sul. Não era apenas a paisagem que mudava, mas a relação de cada pessoa que ali vivia (e convivia) com aquela janela tinha.
Havia vídeos que falavam da música que faz a cabeça e a dança hoje por lá. Muitos fones e eu perdendo a vergonha e me mexendo como se ninguém estivesse olhando. E não fui só eu. O melhor foi que deixaram a informação de onde baixar as músicas que ouvi durante a exposição. Se fiquei feliz? Sim! E vou deixar aqui também para quem tiver interesse.
Há outros vídeos que retratam pequenos cenas do cotidiano, como as crianças veem sua realidade nas brincadeiras, performances, experimentações musicais. Dei mole porque acabei não registrando a sala em que retratava uma performance e que as pessoas tinham a oportunidade de registrar, assim como o performer registrou no seu cartaz, na sua caminhada e nos objetos usados. Fiquei surpresa porque dois dias depois de aberta a exposição, a sala estava quase toda tomada de desenhos e pensamentos. Fiquei bastante tempo olhando para as mensagens e os desenhos. Todo mundo tem algo a gritar.
Tinha quadros que me lembravam uma mistura de grafitti com cartoon. Achei divertidos. A última obra, para mim, era um questionamento se o mundo ficasse sem ninguém. Quais lembranças teriam nossas? Só daquilo que construímos e este se deterioraria com o tempo.
A exposição está no CCBB até 26 de março de 2018. A entrada é gratuita, mas tem de tirar os ingressos no balcão da entrada do museu. Lembrando que o CCBB funciona de quarta à segunda, de 10 às 21 horas, e fica na Rua Primeiro de Março, n° 66, no Centro do Rio.


















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