O tempo dos sonhos - Arte aborígene contemporânea da Austrália


Lembrei que em uma aula o professor questionou o conceito de arte. Quantas vezes escutamos que trabalhos indígenas e regionais são artesanato? Por que não mereceriam o conceito de arte? Quem define este conceito? Ao entrar nas salas da exposição sobre a arte aborígene contemporânea da Austrália, me lembrei disso. Me veio a pergunta se não seria considerada arte aqui por ser estrangeira. Mas, não é sobre isso que gostaria de que levassem em consideração sobre a exposição.

Gostei bastante da exposição. Primeiro porque apresentou alguns símbolos que apareciam nas obras, o que ajudava bastante a entender os quadros e esculturas. Outra coisa bem bacana é que cada obra tinha um mapa indicando de que região era o artista. Ainda vejo muita gente quando se trata das populações indígenas brasileiras colocarem como se todos fossem um só, não tivessem diferença. A forma de se alimentar, mexer, se expressar e sua religiosidade são diferentes em cada uma.  Fica de sugestão para quando mostrassem a cerâmica que os nossos povos fazem, indicando a região, seria importante.

Voltando as obras. As cores predominantes eram marrom e vermelho nas pinturas. Fiquei bem curiosa para o material para produzir as tintas que deve ter para produzir tais cores. Lembrei de urucum. Talvez pela cor bem viva do vermelho.




Uma obra que me chamou bastante atenção foi a que representava a chegada do Europeu na Austrália. Qual é o olhar do verdadeiro dono da terra? Difere completamente das cores apresentadas nas outras obras. O rosto parece de boneco, mas o rastro que ele deixe é de destruição e sangue.


Senti uma necessidade de não deixar a identidade com as origens não se perderem. Não sei se era bem nisso que os artistas pensaram quando fizeram as obras. Mas, isso gritou bem alto em mim.





A exposição fica na Caixa Cultural até o dia 14 de maio. Aproveitem a entrada é gratuita.

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