Lugares do delírio


Assim que fui ao Engenho de Dentro, soube que essa exposição abriria. Fiz um trabalho na área desativada do hospital. Gente, que dor que me deu no coração quando vi tantas grades. Imaginei que era assim que tratavam seres humanos e tive a real noção da importância do trabalho da Nise da Silveira.
Quem assistiu ao filme Nise, viu o trabalho incrível envolvendo pinturas. Ao entrar na exposição, foi como voltar ao filme, ao universo que ela percebeu que os pacientes queriam contar.  A exposição é um projeto heterogêneo que me fez me questionar várias vezes o que é loucura, doença e racionalidade.




Vídeos de pessoas que trabalharam com a Nise, de pessoas contando quais eram os seus sonhos... Históricos de pacientes. Qual é a relação com o seu corpo, com o que você vê? Temos muito a ouvir, ver, sentir, dar atenção a como o outro pode nos contar. O que podemos falar sobre o que se passa com o outro, como o outro nota o mundo, descreve, pinta, transforma, transborda?
Sons se misturavam com outros num fluxo sem fim. Será que é assim que alguns ouvem o mundo? Ouvir suas falar como a família os via, ler como foram os diagnósticos e crises, assistir a como alguns se sensibilizaram a conhecer e tornar o tratamento e o mundo de outros mais humano.




Tire uma hora, pelo menos, para andar pela exposição, pois há muitos relatos a ouvir e assistir. Deixe envolver-se pela exposição. Vale a pena.




Se tiver interesse sobre os textos da exposição, vale dar uma conferida no site do museu. A exposição estará no museu até 10 de setembro. Lembrando que o MAR tem entrada gratuita às terças-feiras, e todo carioca tem direito à meia entrada. Fica na Praça Mauá, bem pertinho do badalado Museu do Amanhã.

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