A Lama: De Mariana ao mar


Pensei em postar sobre esta exposição para outro dia. Mas, me sinto na obrigação de escrever sobre as fotos que estão no Paço Imperial. Há quase um ano uma barragem se rompeu. Uma cidade destruída, um rio morto, e parte do mar afetado pelo ocorrido.

Me lembrei de uma frase que o professor PC da UFRJ falava: Privatizar lucros, socializar prejuízos. Lembrei essa frase o tempo todo durante a exposição. Você ainda lembra que há famílias que dependiam do rio? Você ainda lembra que casas, igrejas tombadas foram levadas pela lama?



As fotos chocam pelos vermelho e alaranjado intensos. Eu que sempre falo do descaso com a baía de Guanabara (desde que me entendo por gente), ao ver as fotos, noto que se não der audiência, ou se não for gringo, talvez não toque autoridades e a imprensa.

As imagens (há também um vídeo narrado), você consegue ter a noção do tamanho da destruição. Me lembrei do caso do óleo na Baía. Das aves cobertas de preto. De me revoltar com a placa no Parque da Cidade (em Niterói) que declarava que a construção do centro de visitantes era com o dinheiro da multa do acidente. E a baía ainda espera os tais investimentos para voltar a ser vida e meio de vida de muitos. Será que a multa será para a recuperação do Rio Doce e das cidades atingidas e do mar afetado?

Acho que o recado que a exposição quer dar é para que não esqueçam o que aconteceu lá. Pessoas e natureza desamparadas.


Se quiser ver as imagens, a exposição está no Paço Imperial, na Praça XV no Centro do Rio. O Paço funciona de terça a domingo de meio-dia às 19 horas. A exposição ficará até o dia 20 de novembro.

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