O Rio que se queria negar: as favelas do Rio de Janeiro no acervo de Anthony Leeds



Meu amigo Alfredo me contou sobre essa exposição que ficava em um museu que eu achava que não conhecia: Museu da Vida. Falar sobre a história das remoções cariocas veio bem a calhar em uma semana tão triste como essa que finalizou o julgamento do impeachment da Dilma. 

O Museu da Vida fica na Fio Cruz em Manguinhos, área rodeada de comunidades pobres. Ao visitar a exposição me lembrei da funcionária do MAR que falou da importância dos museus conversarem com o ambiente em que estão. E essa exposição é bem isso. É uma mostra de fotos de um antropólogo que viveu no Rio durante a década de 1960, período em que ocorreram muitas remoções no Rio.








Parte das fotos fica ao livre, enquanto alguns objetos, vídeos e pequenas fotografias (naquelas caixinhas de festa do interior na época dos nossos avós) ficam em um galpão do museu. É possível ver papeis de divulgação de festas, votação para associação de moradores... uma organização de vida que foge a ideia de bagunça que sempre nos vendem desde sempre. Algumas cartas do antropólogo também estão na exposição, e é possível entender como ele via e vivia nas favelas cariocas.





Quanto mais vou descobrindo a história da cidade, mas vou sabendo quem gerou os problemas sociais e por que os  gerou. Eu sabia que houve um período de remoções (que acabaram criando a Cidade de Deus e Vila Kennedy), só não sabia da existência de favelas na Gávea, no Humaitá e na Lagoa. Foram favelas não apenas tiveram suas casas removidas, mas também toda sua história. Nunca ouvi de ninguém da região contar história sobre uma favela que ali havia. NUNCA! Fiquei triste de saber que não houve apenas maquiagem,.. houve um apagar de histórias, e lançaram o que consideravam problema para outras regiões... para longe dos olhos daqueles que ganhariam com a expansão de prédios pela cidade. E parece um ciclo que se pense que uns valem mais que outros.

A exposição ficará até o dia 1° de outubro. Vale uma visita na exposição e tirar algumas fotos do palacete Mourisco da Fio Cruz. O museu fica aberto de terça a sábado de 9:00 às 16:30. Para mais informações, vale dar uma conferida na página do museu. Tem programação com muita coisa voltada para as crianças. 

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