Cais do Valongo e Cais da Imperatriz

Foto: Luzia Carvalho

Ainda há muitos locais no Rio que nos lembram a História do Brasil.. Na região portuária, chegavam os navios negreiros. As ruas próximas serviam ao mercado escravo, tanto em venda de peças quanto de pessoas. Há alguns que dizem que essa parte triste da história deveria ser apagada. Para mim, deve ser lembrada  para entender o país hoje. E é impossível pensar em um país justo sem conhecer o seu passado (e como nos contaram este de modo errado).

O Cais do Valongo foi reformado e o nome passou a ser Cais da Imperatriz. Não se iluda! A Imperatriz não era a Leopoldina. Aliás, esta foi recebida em outro cais mais próximo da Praça Mauá (e a família real foi recebida na Praça XV). A Imperatriz recebida foi a Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II. Até hoje tenho curiosidade de entender o porquê da Imperatriz ser recebida ali. Me pergunto se a região da Praça XV passava por obras nesse período porque algumas imagens que vi mostravam em 1849 o Chafariz do Mestre Valentim, na Praça XV, distante do mar. Não consegui nenhuma resposta para entender a razão do cais da imperatriz ali. A diferença entre os dois cais está no calçamento. O cais do Valongo possuía pedras mais simples, e as do Cais da Imperatriz tem pedras maiores e mais bonitas.



A região portuária sofreu com o processo de reurbanização do início do século XX, acabou enterrado, sendo redescoberto em 2011 quando começaram as obras na região. Não apenas o cais, mas também objetos que teriam origem de Angola e Moçambique também foram encontrados. Lembro que tais obras pensavam em passar tubulações justamente naquela região. Mas, conseguiu que essa parte da História ficasse ali para que outros pudessem conhecer. Aliás, há uma ideia de se tombar o local. O que espero que ocorra logo. Atualizando a informação. Em 9 de julho de 2017, o cais do Valongo foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Histórico da Humanidade, pois é o único vestígio da chegada de povos africanos que foram escravizados. Sem contar que não apenas o porto, mas o local tinha uma estrutura de mercado de escravos. É uma parte da história que não pode ser esquecida.



Falando em conhecer, acabou que nunca citei por aqui que a região sempre foi conhecida como Pequena África. A prefeitura vende hoje como Porto Maravilha, mas eu prefiro como a galera da região conhecia. Lembro que dois turistas paulistas na fila para entrar no MAR me perguntaram sobre a reforma da região portuária. Expliquei o que tinha na região e foi demolido. Contei o que havia de cultura e história da cidade e do país na região. Os dois fizeram caras de "UAU!" e disseram: "Que bom que houve essa reforma para dar graça as histórias e vida desse lugar!". Para mim, foi o contrário. Foram as histórias e vida da região que deram graça à reforma feita. Você pode visitar a qualquer hora o local, mas recomendo de dia.

Só para acrescentar uma coisa. Na frente do sítio arquelógico do cais tem o Armazém que é projeto do André Rebouças. Lembre-se de que Rebouças não é só o nome do túnel. Este prédio fica a Alçao da Cidadania que, nas minhas memórias de criança, tinha o projeto de arrecadar alimentos aos mais necessitados.


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