O Paço, a Praça e o Morro


Não escondo que amo o Rio. Sofro com os seus problemas, mas sei e sinto que o meu lugar no mundo é aqui. Desde que frequento o Centro, escuto que existia um tal Morro do Castelo que foi destruído para a reurbanização do Centro, e que parte da sua terra foi usada na construção do Aterro do Flamengo.

Andava pela Avenida Antônio Carlos e tentava imaginar isso. Pensava que era um morro pequeno. Não fazia muito sentido na cabeça de criança que destruíssem algo imenso. Aliás, nunca imaginei que morasse gente nesse tal morro. Ao crescer, fui escutando mais histórias do Castelo, e a tal ideia de higienização da cidade. Ali era o marco zero da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Sim, a Igreja, o marco zero e as casas viraram destroços. Quem ali morava não me contaram que destino tiveram.

Quando soube da exposição (alguns amigos me marcaram por saber que sou apaixonada por fotografia e construções antigas), fui logo na primeira semana. Me emocionei bastante com as fotos do Instituto Moreira Salles. Senti que me tiraram o direito de conhecer onde o Rio começou, onde as crianças corriam. Ver todas aquelas fotos me deu a noção do tamanho da destruição, e, desconfio, que foi para apenas alguns ganharem e outros muitos serem abandonados.

A narração do que era e como foi a destruição é de cortar o coração. A exposição mostra que não é de hoje que maquiam e transformam a cidade, sendo que a população é a que menos importa nessa conta. Será que Sebastião ainda sente as flechas quando vê os grandes pouco se importando com a sua cidade? Aprender a história para: conhecer os culpados; não repetir o passado; buscar a transformação da cidade para o bem da população e não apenas de alguns.

A exposição ficará no Paço Imperial até o dia 28 de agosto. Vai se espantar com as fotos de como era a Praça XV (que já foi Largo do Paço, Lardo do Carmo, Praça Dom Pedro). Fica meu agradecimento ao Paço e ao IMS pela exposição. Só me fez amar e entender mais e mais essa cidade. Deixo algumas sugestões: se tiverem fotografias sobre a construção da Avenida Presidente Vargas (se é que existem!); e, uma exposição com os móveis que eram do Paço na época da família real.

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